Paola Carosella sobre cozinha e mudança de vida

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June 7, 2017
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Endeavor Brasil
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Paola Carosella sobre cozinha e mudança de vida

TL;DR

Reconhecer a própria infelicidade e assumir a responsabilidade pela mudança foi o ponto de partida de Paola Carosella para repensar sua vida e seu negócio aos 40 anos. Com um restaurante quase falindo, um relacionamento falido e uma filha pequena, ela comparou sua situação presente ao futuro desejado e encontrou na identidade de cozinheira uma certeza para orientar suas decisões.

Transcript

[Música] obviamente todo mundo teve muitos Day ones mas eu escolhi um para falar hoje que não foi o dia em que eu nasci não foi o dia que eu escolhi ser cozinheira não foi a primeira vez que entrei num restaurante não foi na primeira vez que eu fiz um an não foi a primeira vez que eu vendi um restaurante o meu Day one foi na verdade o meu dayi 14.9... Read More

Key Insights

  • Paola tinha 40 anos quando decidiu repensar sua vida, com um restaurante quase falindo e uma filha de dois.
  • Duas folhas na parede representavam sua situação presente e o futuro que desejava alcançar em dois anos.
  • A responsabilidade pela mudança apareceu entre suas certezas: ninguém transformaria sua vida por ela.
  • A cozinha das avós reunia fartura e produção própria, dos ingredientes ao preparo dos raviolis.
  • Cozinhar aliviava a solidão de Paola na infância e permitia preparar o jantar para receber sua mãe.
  • Paola escolheu ser cozinheira aos 18 anos e encontrou acolhimento no ambiente profissional da cozinha.
  • A herança familiar financiou seu investimento no Brasil e a obtenção de um visto de investidor.
  • A quebra de confiança na primeira sociedade levou Paola a sair, recuperando o valor que havia investido.

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Questions & Answers

Q: O que levou Paola Carosella a decidir mudar sua vida aos 40 anos?

Paola Carosella decidiu repensar sua vida quando enfrentava dificuldades simultâneas no trabalho, nas finanças e no relacionamento. Aos 40 anos, estava no Brasil havia 12 anos, tinha uma filha de dois anos, um restaurante quase falindo e um relacionamento que descreveu como absolutamente falido. Também vivia no cheque especial. Depois de voltar do restaurante e observar a filha dormindo, sentiu ainda mais o peso da responsabilidade por outra pessoa. No escritório de casa, chorou e reconheceu que estava cansada de ser infeliz. Esse momento desencadeou a reflexão sobre como mudar o curso de sua vida.

Q: Como Paola Carosella organizou a reflexão sobre a vida que queria construir?

Paola pegou duas folhas de papel, escreveu “hoje” em uma e “dois anos” na outra e colocou ambas na parede. Sentada no chão, passou a comparar sua situação presente com o lugar em que gostaria de estar no futuro. Perguntou a si mesma por que estava tão mal, por que era infeliz e o que poderia fazer para mudar. Ela se descreveu como uma cozinheira intuitiva, pouco acostumada a pensar longamente antes de decidir. Naquela situação, porém, considerava necessário refletir, porque a decisão marcaria o curso de sua vida adulta. Ao se levantar, ainda não tinha uma resposta, mas havia identificado quatro certezas.

Q: Quais foram as quatro certezas de Paola Carosella durante sua crise?

As quatro certezas identificadas por Paola foram que morreria algum dia, que não era feliz com a vida que tinha, que precisava fazer algo para mudá-la porque ninguém faria isso por ela e que era cozinheira. Ela apresentou essas conclusões como pontos de apoio para uma decisão ainda sem resposta definida. A identidade profissional tinha raízes na infância, quando brincava de cozinhar e acompanhava a vida familiar em torno da comida. No relato, reconhecer sua insatisfação e sua responsabilidade pela mudança aparece junto de reconhecer uma atividade que já fazia parte de sua história.

Q: Como a convivência com as avós influenciou a relação de Paola Carosella com a cozinha?

Paola cresceu em uma família de imigrantes italianos e descreveu a cozinha das avós como o centro dos cheiros, dos barulhos, das risadas e das refeições compartilhadas. A imagem da avó colocando uma grande bandeja de raviolis na mesa a impressionava pelo poder de despertar o desejo de comer. Segundo seu relato, a avó preparava os raviolis à mão, criava o frango usado no recheio, fazia o molho e utilizava alho e manjericão da própria horta. Essa convivência apresentou a cozinha a Paola como um lugar de fartura, sedução e encontro familiar, pelo qual ela se apaixonou.

Q: Por que cozinhar ajudava Paola Carosella a enfrentar a solidão na infância?

Durante a infância e a adolescência, Paola morava com a mãe em um apartamento cujo cotidiano era diferente da casa das avós. Descreveu a mãe como forte, empreendedora e inteligente, mas também muito triste e frequentemente ausente por causa do trabalho, dos estudos ou do isolamento no quarto. Cozinhar era a atividade que a resgatava da solidão. Ao voltar da escola, imitava as avós ou as culinaristas da televisão, usando os ingredientes disponíveis. Também começou a preparar o jantar para esperar a mãe chegar do trabalho. Assim, a cozinha oferecia uma ocupação em um ambiente no qual ela não se sentia feliz.

Q: Como Paola Carosella começou sua carreira profissional na cozinha?

Paola escolheu ser cozinheira ao terminar a escola, aos 18 anos. Na adolescência, sentia desconforto com o próprio corpo e dificuldade para se relacionar com outras pessoas. A cozinha profissional a acolheu em um espaço onde, segundo sua percepção, era tão estranha quanto os demais trabalhadores. Ela gostava das roupas, dos aventais e do trabalho, além de reconhecer que tinha habilidade para cozinhar. Sua trajetória passou por estágios, funções de cozinheira e o posto de sous-chef. Também fez estágios em restaurantes estrelados em Paris e viajou para lugares como Londres e Nova York antes de decidir abrir um restaurante.

Q: Como Paola Carosella financiou seu primeiro empreendimento no Brasil?

Paola financiou o empreendimento com recursos recebidos como herança da mãe, que incluíam uma casa e um seguro de vida. Ela vendeu a casa e reuniu o dinheiro para investir no Brasil, onde já havia trabalhado na Figueira Rubaiyat. Antes de investir, foi ao Consulado do Brasil na Argentina pesquisar como o processo seria realizado. Segundo seu relato, tinha meio milhão de reais, valor que naquela época era necessário para obter o registro de estrangeiro por meio de um visto de investidor. Com o visto e o dinheiro destinado ao restaurante, passou a atuar como empresária, embora destacasse que sua competência principal era cozinhar.

Q: O que aconteceu com a primeira sociedade de Paola Carosella em um restaurante?

Paola descreveu seu primeiro restaurante, o Julia, como pequeno e bem-sucedido, com comida muito boa. O problema relatado surgiu na sociedade: em determinado momento, a confiança se rompeu e ela deixou de acreditar tanto no sócio quanto na possibilidade de o negócio avançar com aquela parceria. Considerava que talvez fosse possível resolver o problema, mas não alcançar o crescimento que desejava. O pai do sócio comprou sua participação e devolveu, três anos depois, o mesmo valor que ela havia investido. Em seguida, Paola entrou em uma sociedade com sete argentinos, que descreveu como ótimas pessoas, mas com ideias diferentes.

Summary & Key Takeaways

  • Aos 40 anos, com dificuldades financeiras e pessoais, Paola colocou na parede duas folhas, uma sobre o presente e outra sobre o futuro em dois anos, para refletir sobre a vida que queria construir.

  • A cozinha marcou sua infância pela fartura das avós italianas e pelo alívio da solidão em casa. Tornou-se profissão aos 18 anos e um espaço de acolhimento durante suas dificuldades de adolescência.

  • Depois de trabalhar em cozinhas e fazer estágios internacionais, Paola investiu sua herança em um restaurante no Brasil. A experiência trouxe reconhecimento culinário e problemas de confiança entre sócios.


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