Como Elie Horn construiu e passou a Cyrela

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December 4, 2014
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Endeavor Brasil
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Como Elie Horn construiu e passou a Cyrela

TL;DR

Elie Horn construiu seu patrimônio partindo do zero, primeiro com vendas de porta em porta e depois negociando apartamentos, terrenos e empreendimentos. Sua trajetória mostra que crescimento sem controle pode prejudicar uma empresa, enquanto sucessão gradual, conhecimento do setor, disciplina financeira e participação ativa dos donos favorecem continuidade e solidez.

Transcript

[Música] eh bom eh eu tô super feliz de tá fazendo essa mediação porque Wi Horn nunca aparece ele detesta dar entrevista subir em palco então ele abomina Então acho que é um privilégio para mim e para quem vai escutar porque realmente é uma oportunidade Rara eu vou até contar para vocês assim como uma indiscrição a primeira entrevista que seu Eli d... Read More

Key Insights

  • Elie Horn iniciou sua trajetória profissional vendendo goma-laca de porta em porta na região da Pestana.
  • A compra e revenda de apartamentos financiada por promissórias permitiu começar sem capital próprio.
  • A negociação de terrenos repetiu o modelo de entrada reduzida e revenda antes das parcelas seguintes.
  • Elie Horn estimou que, aos 29 anos, seu patrimônio equivaleria a cerca de 50 milhões de dólares atuais.
  • A Cyrela chegou a operar em 120 cidades e quase 220 canteiros, escala considerada impossível de controlar.
  • A crise de 2008 ajudou a empresa a perceber que precisava consolidar operações, não apenas crescer.
  • O IPO trouxe recursos para competir com empresas estrangeiras, mas reduziu parte da independência empresarial.
  • A sucessão foi gradual e colocou dois filhos com habilidades complementares na copresidência da empresa.

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Questions & Answers

Q: Como Elie Horn começou a construir seu patrimônio?

Elie Horn começou trabalhando com vendas de goma-laca de porta em porta na região da Pestana. Depois, passou a comprar e vender apartamentos mesmo sem possuir dinheiro para financiar integralmente as operações. Ele tomava emprestado o valor necessário para o sinal, tinha cerca de 90 dias para revender o imóvel e descontava as promissórias para pagar a parcela seguinte. O método exigia rapidez, negociação persistente e disposição para assumir compromissos antes de receber o valor da revenda. Com o tempo, ele aplicou princípio semelhante à negociação de terrenos.

Q: Como funcionava a estratégia de Elie Horn para negociar terrenos?

Elie Horn comprava terrenos usando uma estrutura de pagamento que previa 10% de sinal, mais 30% depois de 90 dias, sem juros e sem correção, e os 60% restantes em 36 meses, com juros e sem correção. Para cumprir essas obrigações, precisava permutar o terreno ou vendê-lo a um construtor, descontar as promissórias recebidas e pagar a dívida assumida. Segundo seu relato, o modelo funcionou muito bem e contribuiu para que ele alcançasse uma posição financeira confortável ainda jovem, partindo inicialmente do zero.

Q: Por que Elie Horn decidiu abrir o capital da Cyrela?

Elie Horn decidiu abrir o capital porque concorria com empresas estrangeiras no Brasil e perdia disputas por negócios. Na avaliação dele, a maneira de competir em condições semelhantes era obter recursos de fora. Antes desse processo, o caixa da empresa nunca havia passado de aproximadamente um milhão de dólares, segundo sua lembrança. Depois, chegou perto de um bilhão, uma mudança que ele descreveu como brutal. A abertura também trouxe acompanhamento constante do mercado, mas Horn afirma que ainda não resolveu se repetiria ou não a mesma decisão.

Q: Quais foram os efeitos negativos do crescimento acelerado da Cyrela?

O crescimento acelerado levou a Cyrela a atuar em 120 cidades e a administrar quase 220 canteiros, alguns deles com 18 torres sendo construídas simultaneamente. Elie Horn considerou essa escala impossível de controlar adequadamente. O período também teve inflação de preços, aumento dos custos de mão de obra e escassez de trabalhadores, chegando a provocar a transferência de mão de obra do Sul para o Norte do Brasil. Para ele, dinheiro abundante pode fazer pessoas e empresas perderem o controle, crescerem demais e sofrerem posteriormente as consequências.

Q: Por que Elie Horn considerou a crise de 2008 uma bênção?

Elie Horn considerou a crise de 2008 uma bênção porque ela interrompeu a lógica de expansão contínua e ajudou a empresa a perceber que o objetivo não poderia ser somente crescer. A Cyrela precisava consolidar suas operações, recuperar controle e trabalhar em uma escala administrável. Essa percepção surgiu em 2009, mas o ajuste ainda exigiu dois ou três anos difíceis antes da retomada do ritmo. Depois dessa experiência, Horn passou a preferir um período econômico normal, no qual a companhia pudesse crescer de forma sólida e consistente, sem buscar outro boom.

Q: Como Elie Horn avalia a influência de analistas sobre a empresa?

Elie Horn afirma que, no começo, era muito sensível às avaliações dos analistas, mas depois passou a preferir não escutá-las excessivamente. Em sua visão, alguns analistas não compreendem suficientemente o setor imobiliário, embora tentem orientar empresas que operam nele. Seu conselho é considerar parcialmente as opiniões externas, sem permitir que elas determinem todas as decisões, pois isso pode conduzir a erros graves. Ao mesmo tempo, ele reconhece que ser uma companhia aberta cria uma verificação permanente e obriga a empresa a se avaliar continuamente.

Q: Como foi planejada a sucessão de Elie Horn na Cyrela?

A sucessão foi planejada ao longo de dois ou três anos, período em que Elie Horn não sabia qual solução adotar. Inicialmente, ele preferia não misturar família e empresa e cogitou contratar alguém de fora. Após conversar com consultores, assessores e possivelmente cerca de 20 pessoas, concluiu que, no setor imobiliário, a presença da família e de donos envolvidos era importante. Dois filhos assumiram a copresidência com competências complementares, enquanto Horn passou à presidência do conselho e continuou participando das decisões durante uma transição gradual.

Q: Por que dois filhos assumiram juntos a presidência da Cyrela?

Elie Horn descreve os dois filhos que trabalham na empresa como profissionais com capacidades complementares. Um deles é muito bom nas áreas financeira e de recursos humanos, enquanto o outro se destaca em administração, criatividade e incorporação. Por isso, ele considera que os dois funcionam bem juntos na copresidência. Quando existem divergências, eles podem consultar o pai, que continua oferecendo opiniões baseadas em idade e experiência. Horn diz que às vezes os filhos têm razão e às vezes ele tem, tratando essa interação contínua como parte adequada da sucessão.

Summary & Key Takeaways

  • Elie Horn começou vendendo goma-laca de porta em porta e, sem capital próprio, passou a comprar apartamentos com dinheiro emprestado, revendendo-os antes do vencimento das parcelas para financiar novos negócios.

  • Após negociar terrenos e começar a construir, Horn levou cerca de 17 ou 18 anos para consolidar a empresa. A entrada de sócios e o IPO trouxeram capital abundante, expansão acelerada e perda parcial de independência.

  • A sucessão da Cyrela foi planejada durante dois ou três anos. Horn escolheu dois filhos com competências complementares para a copresidência, mantendo-se no conselho e participando gradualmente das decisões.

  • Horn defende crescimento sólido e consistente, pois a expansão para 120 cidades e quase 220 canteiros tornou o controle das obras inviável. A crise de 2008 levou a empresa a priorizar consolidação.

  • A abertura de capital permitiu competir com empresas estrangeiras e aumentou o caixa, mas também tornou a companhia mais dependente do mercado, de avaliações trimestrais e de cobranças por crescimento.


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