Quais são os riscos do crowdsourcing empresarial?

TL;DR
O principal risco do crowdsourcing não é revelar um problema, mas executar lentamente a solução encontrada. Segundo Rafael Zatti, a empresa que conhece seus clientes, seu mercado e sua operação mantém uma vantagem sobre concorrentes, enquanto recebe ideias heterogêneas da multidão e pode acelerar o desenvolvimento de produtos.
Transcript
eh primeira parte realmente os produtos hoje são baseados em pesquisas eh em você identificar uma oportunidade um problema e criar um produto em cima disso mas se 90% das startups fecham e 70% das empresas fechem até 2 anos alguma coisa tá errada seja na forma como tá na forma tradicional como já fazendo essa pesquisa ou na forma como você está exe... Read More
Key Insights
- Muitas empresas brasileiras temem que concorrentes transformem problemas divulgados em novos produtos.
- O crowdsourcing amplia a diversidade de soluções além das ideias recorrentes dos funcionários internos.
- A Goldcorp abriu na internet seus mapas de mineração, considerados seu maior segredo empresarial.
- A campanha da Goldcorp teria recebido cerca de 2.000 soluções de participantes com perfis variados.
- A melhor proposta da campanha teria surgido de um modelo matemático criado por computador.
- O conhecimento de clientes, mercado e operação oferece vantagem para executar a solução encontrada.
- Uma campanha de crowdsourcing pode durar dois meses e produzir entre 30 e 60 soluções possíveis.
- Zatti afirma não conhecer um caso em que um concorrente tenha dominado o mercado dessa maneira.
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Questions & Answers
Q: Qual é o principal risco do crowdsourcing para uma empresa?
O risco destacado é a possibilidade percebida de um concorrente acessar o problema publicado, aproveitar as soluções apresentadas e desenvolver um produto antes da empresa responsável pela campanha. Rafael Zatti argumenta, porém, que esse temor costuma ser exagerado. Para ele, o verdadeiro fator decisivo é a velocidade de execução. A empresa que abriu o desafio já conhece sua base de clientes, seu mercado, sua operação e o contexto do produto, conhecimentos que o concorrente não possui na mesma medida. Se ela agir com agilidade, preserva sua vantagem.
Q: Por que empresas brasileiras resistem ao crowdsourcing?
Segundo Rafael Zatti, muitas empresas brasileiras resistem porque associam a abertura de problemas à perda de vantagem competitiva. Ao apresentar campanhas a organizações de grande porte, ele ouviu o receio de que clientes ou concorrentes recolhessem as informações, criassem um produto e dominassem o mercado. Essa mentalidade trata o problema empresarial como um segredo que precisa permanecer fechado. Zatti contrapõe essa visão com casos estrangeiros e sustenta que conhecer uma necessidade não basta, pois transformar uma solução em produto exige conhecimento do mercado, dos clientes e da própria operação.
Q: Como o caso da Goldcorp ilustra o uso do crowdsourcing?
Na história relatada por Zatti, a mineradora canadense Goldcorp enfrentava dificuldades quando seu CEO conheceu o modelo aberto ligado à comunidade. De volta à empresa, ele propôs publicar na internet os mapas das minas e pedir que participantes identificassem novas possibilidades de extração. A decisão provocou resistência porque os mapas eram considerados o maior segredo da mineradora. Mesmo assim, a empresa lançou a campanha, ofereceu um prêmio e recebeu cerca de 2.000 soluções, vindas de participantes variados, entre eles geólogos e professores do ensino médio.
Q: Que resultados a Goldcorp teria obtido com a campanha?
De acordo com o relato apresentado, a Goldcorp selecionou e premiou uma solução, sendo que a melhor proposta teria vindo de um modelo matemático criado por computador. Zatti afirma que, ao longo de dez anos após a campanha, a empresa passou de um faturamento anual de 200 milhões de dólares para 9 bilhões de dólares em 2010, mantendo o mesmo CEO. O exemplo é usado para defender que até informações consideradas altamente sigilosas podem ser abertas quando a organização possui capacidade e rapidez para explorar as soluções recebidas.
Q: Qual vantagem a multidão oferece sobre uma equipe interna?
A multidão pode produzir uma variedade maior de abordagens porque reúne pessoas com formações, experiências e perspectivas diferentes. Zatti contrasta essa diversidade com o funcionário que pensa diariamente dentro do mesmo contexto organizacional e pode repetir padrões já conhecidos. No exemplo da Goldcorp, as propostas teriam vindo de perfis tão distintos quanto geólogos e professores do ensino médio, e a solução destacada teria usado um modelo matemático computacional. Assim, o crowdsourcing amplia o conjunto de hipóteses disponíveis para pesquisas, problemas internos, tecnologias e produtos.
Q: Por que divulgar um problema não garante vantagem ao concorrente?
Divulgar um problema não entrega automaticamente a capacidade de executar a solução. Conforme Zatti, a empresa que lançou a campanha possui conhecimentos específicos sobre seus clientes, seu mercado e seu produto, enquanto o concorrente pode não dominar esse contexto. Mesmo que ambas tenham acesso à ideia, a organização originadora tende a compreender melhor como adaptá-la, desenvolvê-la e colocá-la no mercado. A vantagem, portanto, depende menos de esconder a existência do problema e mais de combinar o conhecimento interno com rapidez suficiente para transformar a contribuição recebida em resultado concreto.
Q: Quanto tempo pode levar uma campanha e o lançamento do produto?
Zatti estima que uma campanha de crowdsourcing dure dois meses, desde que não enfrente dificuldades relacionadas à Justiça. Nesse período, ela poderia gerar entre 30 e 60 soluções para o problema apresentado. Depois da escolha da alternativa mais promissora, uma empresa que não seja tão grande poderia gastar mais três ou quatro meses para transformá-la em produto. Pelo cálculo apresentado, o processo completo levaria cerca de seis meses entre a identificação do problema, a contribuição da multidão, a seleção da melhor resposta e a disponibilização do produto.
Q: O crowdsourcing já era comum no Brasil e nos Estados Unidos?
Segundo Zatti, o uso empresarial do crowdsourcing ainda encontrava forte resistência no Brasil, e ele não dispunha de um exemplo brasileiro para apontar como caso comprovado de sucesso. Em contraste, afirmou que havia muitos casos positivos no exterior. Nos Estados Unidos, pequenas, médias e grandes empresas já utilizavam o modelo, e o termo crowdsourcing teria se tornado uma palavra comum. Sua expectativa era que o Brasil também superasse o medo de compartilhar desafios e passasse a adotar com mais naturalidade práticas de colaboração e inovação aberta.
Summary & Key Takeaways
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Empresas brasileiras resistem ao crowdsourcing por temer que concorrentes descubram seus problemas, aproveitem as soluções publicadas e lancem primeiro um produto capaz de dominar o mercado.
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A Goldcorp teria publicado seus mapas de mineração, oferecido um prêmio e recebido cerca de 2.000 propostas, incluindo contribuições de geólogos e professores do ensino médio.
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Para Zatti, conhecimento interno e agilidade protegem a empresa. Uma campanha pode durar dois meses, gerar dezenas de soluções e levar a um produto em mais três ou quatro meses.
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