Como o Banco Palmas surgiu no Conjunto Palmeira?

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September 4, 2013
by
Endeavor Brasil
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Como o Banco Palmas surgiu no Conjunto Palmeira?

TL;DR

O Banco Palmas surgiu para financiar a produção e o consumo dentro do Conjunto Palmeira, após os moradores perceberem que suas compras levavam recursos para fora do bairro. Criado em 1998, o banco comunitário nasceu da organização popular que já havia construído equipamentos e infraestrutura por mutirão. Seu modelo combina crédito para negócios locais, crédito ao consumo em moeda própria e participação da comunidade na propriedade do banco.

Transcript

quem conhece Fortaleza geralmente ficaram hospedado aonde quando foram lá tem vergonha não onde Cadê o bicho ah por aqui né Vocês ficaram exatamente onde a gente morava em 1973 nós éramos pescadores meus pais portanto eram pescadores entes moravam na beira do mar e para construir os hotéis Olha o peso na consciência que vocês vão ficar agora para c... Read More

Key Insights

  • A origem do Conjunto Palmeira está ligada à expulsão de famílias da beira-mar de Fortaleza em 1973.
  • Os moradores construíram infraestrutura e equipamentos sociais com organização coletiva e mutirões.
  • A urbanização do bairro não eliminou a pobreza econômica das famílias que continuavam vivendo ali.
  • Uma pesquisa domiciliar identificou que as compras dos moradores eram realizadas fora do bairro.
  • O Banco Palmas foi criado em 1998 como um projeto social voltado à geração de renda na comunidade.
  • A comunidade é dona do Banco Palmas e, segundo o relato, compartilha os resultados positivos do banco.
  • O modelo do banco combina financiamento à produção local e crédito para consumir dentro do bairro.
  • Elias recebeu R$ 6.000 para seu negócio e contou com um cursinho comunitário em sua trajetória educacional.

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Questions & Answers

Q: Como surgiu o Banco Palmas no Conjunto Palmeira?

O Banco Palmas surgiu da organização dos moradores do Conjunto Palmeira e da busca por geração de renda depois da urbanização do bairro. A comunidade havia construído infraestrutura e equipamentos sociais por meio de mutirões, mas as famílias continuavam pobres. Para entender essa situação, os moradores realizaram uma pesquisa domiciliar sobre os produtos comprados e os locais de compra. O levantamento mostrou que o consumo ocorria fora do bairro. A resposta foi criar um banco comunitário que financiasse a produção e o consumo locais. A descrição informa que sua criação ocorreu em 1998.

Q: Qual é a relação entre a formação do Conjunto Palmeira e a organização comunitária?

Segundo Joaquim de Melo Neto, famílias de pescadores que viviam na beira-mar de Fortaleza foram expulsas em 1973 para dar lugar à construção de hotéis e à transformação daquela área. Elas foram levadas para um local próximo ao lixão, chamado Conjunto Palmeira, onde não havia casas construídas para recebê-las. O relato descreve condições de mato e lama. Diante dessas dificuldades, os moradores começaram a se organizar e construíram coletivamente infraestrutura e equipamentos, incluindo água, luz, casas, creche e escola. Essa experiência de mobilização e participação popular antecedeu a criação do Banco Palmas.

Q: Por que a urbanização não resolveu a pobreza dos moradores do Conjunto Palmeira?

A urbanização melhorou as condições físicas do Conjunto Palmeira, mas não resolveu a situação econômica das famílias. Joaquim relata que, ao final da década de 1990, o bairro já tinha asfalto, drenagem, esgoto, água, energia e casas construídas, enquanto os moradores continuavam pobres. Algumas pessoas vendiam seus barracos e se mudavam para outras favelas. A pesquisa realizada pela comunidade identificou que suas compras eram feitas fora do bairro. Na interpretação apresentada, os recursos locais saíam do território, dificultando a geração de renda. Por isso, a comunidade passou a buscar uma estratégia econômica centrada na produção e no consumo locais.

Q: Como a pesquisa sobre o consumo dos moradores orientou a criação do Banco Palmas?

A pesquisa foi realizada de casa em casa e perguntava quais produtos os moradores compravam, suas marcas e os locais onde faziam essas compras. O levantamento identificou consumo fora da comunidade, inclusive de itens simples, como sabão, vassoura e roupa. Joaquim associa esse resultado à falta de produção no próprio bairro. A conclusão que orientou o Banco Palmas foi que a comunidade se empobrecia ao perder seus recursos por meio das compras externas. A proposta passou a ser financiar atividades produtivas locais e estimular compras no território, conectando geração de renda e circulação dos recursos entre moradores e negócios da comunidade.

Q: Como funciona o crédito do Banco Palmas para produção e consumo locais?

O funcionamento apresentado combina uma linha de crédito para produtores e outra para consumidores da comunidade. O banco financia pequenos negócios locais nas áreas de indústria, comércio e serviços, apoiando quem deseja produzir no bairro. Também oferece crédito a quem quer consumir dentro da comunidade. Nesse caso, Joaquim explica que o empréstimo utiliza uma moeda própria, chamada palmas. A combinação das duas linhas expressa a proposta de apoiar tanto a oferta de produtos e serviços quanto as compras locais. O trecho fornecido termina durante a explicação do crédito ao consumo e não apresenta todas as suas condições.

Q: Quem é dono do Banco Palmas e como os resultados são compartilhados?

Segundo a explicação de Joaquim de Melo Neto, a comunidade é dona do Banco Palmas, e as pessoas que utilizam o banco também participam dessa propriedade coletiva. Ele afirma que, se houver lucro ao final do ano, o dinheiro pertence a todos. Essa característica está ligada à sua concepção de negócio social: além de produzir impacto social e gerar excedente, o empreendimento deve permitir que quem compra também seja dono. No relato, o banco oferece serviços financeiros e contribui para gerar emprego no bairro. O trecho não detalha procedimentos de distribuição dos resultados nem regras específicas de participação.

Q: Como o Banco Palmas contribuiu para a trajetória de Elias?

Elias é apresentado como um morador de uma área precária junto ao Rio Cocó que criou uma empresa com outros jovens. Joaquim relata que o Banco Palmas lhe emprestou R$ 6.000 para viabilizar seu negócio. Sua trajetória também envolveu a Escola Popular Cooperativa Palmas, que oferecia um cursinho pré-vestibular na comunidade, com alunos e professores do próprio território. Manuela, coordenadora do cursinho, levou Elias para participar. Segundo o relato, ele foi aprovado nas universidades federal e estadual e se formou em filosofia. Joaquim apresenta o caso como uma combinação de iniciativa pessoal, acesso ao crédito e apoio educacional comunitário.

Q: Qual é a visão de negócio social defendida por Joaquim de Melo Neto?

Joaquim defende que um negócio social deve produzir grande impacto social, gerar resultado econômico, que ele chama de excedente, e permitir que quem consome também seja dono. Sua preocupação é que a população pobre participe da produção e da riqueza gerada pelos empreendimentos. A experiência dos mutirões no Conjunto Palmeira sustenta sua afirmação de que existe grande capacidade produtiva entre os pobres. No Banco Palmas, essa visão aparece no financiamento a produtores e consumidores locais, na propriedade comunitária e na geração de emprego no bairro. O objetivo apresentado é associar serviços financeiros ao desenvolvimento econômico da própria comunidade.

Summary & Key Takeaways

  • O Conjunto Palmeira recebeu famílias expulsas da beira-mar de Fortaleza em 1973. Diante da falta de infraestrutura, os moradores se organizaram e construíram serviços e equipamentos por meio de mutirões.

  • A urbanização melhorou o bairro, mas a pobreza persistiu. Uma pesquisa domiciliar revelou compras fora da comunidade, levando os moradores a buscar formas de manter o consumo e os recursos no território.

  • Criado em 1998, o Banco Palmas pertence à comunidade e financia produtores e consumidores locais. A moeda palmas integra o crédito ao consumo, enquanto outras iniciativas apoiam educação e geração de renda.


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