Como proteger o caixa da empresa durante crises

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June 23, 2020
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Endeavor Brasil
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Como proteger o caixa da empresa durante crises

TL;DR

Projete a receita durante a crise e transforme essa estimativa em um fluxo de caixa diário, equilibrando recebíveis e contas a pagar. Para ampliar a sobrevivência da empresa, corte despesas e produtos sem margem positiva, adie projetos não essenciais, retenha clientes, crie cenários pessimistas e mobilize toda a liderança em torno de poucos projetos prioritários.

Transcript

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Key Insights

  • A falta de dinheiro é o resultado final que impede empresas de pagar funcionários e fornecedores.
  • A projeção de receita na quarentena deve orientar o desdobramento de um fluxo de caixa diário.
  • O caixa deve equilibrar recebíveis e contas a pagar, com métricas essenciais verificadas todos os dias.
  • A retenção de clientes merece prioridade porque vender novamente tende a ser mais barato que atrair.
  • Produtos sem margem de contribuição positiva devem ter seus gastos cortados com rapidez na crise.
  • Cenários pessimistas evitam subestimar o caixa necessário quando a receita pode cair drasticamente.
  • A 99 queimava R$ 4 milhões por mês em 2016, ao faturar R$ 2 milhões e gastar R$ 6 milhões.
  • Um plano executável reduz o desespero e direciona toda a empresa para poucas prioridades decisivas.

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Questions & Answers

Q: Como uma empresa deve controlar o caixa durante uma crise?

A empresa deve começar projetando a receita para o período de crise e, com base nessa estimativa, detalhar um fluxo de caixa diário. Esse controle precisa equilibrar os recebíveis disponíveis com todas as contas a pagar e mostrar claramente quanto dinheiro existe e por quanto tempo ele sustentará a operação. As métricas mais importantes devem ser acompanhadas todos os dias. Também é necessário antecipar recebíveis quando possível, reduzir despesas, adiar projetos não essenciais e preparar diferentes cenários, incluindo um cenário pessimista com queda drástica de receita.

Q: Por que o caixa é a principal prioridade em momentos de incerteza?

O caixa determina se a empresa consegue cumprir seus compromissos imediatos, como pagar funcionários e fornecedores. Embora uma companhia possa enfrentar muitos problemas diferentes, o relato destaca que todos eles acabam desembocando na falta de dinheiro. Uma empresa pode ter história, crescimento, participação de mercado e boa execução, mas ainda assim deixar de sobreviver se consumir suas reservas antes de ajustar a operação. Por isso, conhecer entradas, saídas, reservas e ritmo de consumo do dinheiro é a base para decidir cortes, adiamentos e prioridades.

Q: Quais métricas devem ser acompanhadas diariamente na crise?

O conteúdo organiza a saúde financeira como um organismo vivo. O fluxo de caixa representa o curso financeiro e deve ser observado pelo regime de caixa, sem depender apenas do regime de competência. A empresa precisa acompanhar recebíveis, contas a pagar e o total disponível em reserva. As vendas e a retenção de clientes funcionam como a respiração da operação, enquanto a margem de contribuição funciona como seu batimento cardíaco. Esse acompanhamento diário permite identificar rapidamente produtos deficitários, desequilíbrios de pagamento e mudanças que exigem ação imediata.

Q: Como vendas e retenção de clientes ajudam a preservar o caixa?

As vendas mantêm a entrada de recursos, enquanto a retenção reduz a necessidade de depender continuamente da aquisição de novos compradores. A orientação apresentada é explorar canais orgânicos quando a empresa precisar atrair clientes, mas lembrar que vender novamente para quem já compra tende a ser mais barato. A empresa também deve examinar a margem de contribuição de cada produto e cortar rapidamente os gastos ligados ao que não apresenta margem positiva. Assim, o esforço comercial fica conectado à geração efetiva de caixa, e não apenas ao crescimento de volume.

Q: O que aconteceu com o caixa da 99 em 2016?

Em abril de 2016, a 99 faturava R$ 2 milhões por mês, mas tinha custos mensais de R$ 6 milhões. Isso significava uma queima de R$ 4 milhões a cada mês. A empresa possuía pouco menos de R$ 40 milhões em caixa, o que representava cerca de dez meses de operação sem considerar os custos de fechamento. Ao mesmo tempo, a rodada seguinte de investimento atrasava, o Brasil atravessava dificuldades políticas e econômicas, e a concorrência aumentava. A companhia concluiu que não chegaria viva ao fim do ano sem uma mudança.

Q: Como a 99 planejou alcançar o equilíbrio financeiro?

A única receita da 99 vinha das corridas pagas pelo aplicativo, mas dois terços dos passageiros preferiam pagar diretamente ao motorista. Nessas transações, a empresa não recebia receita, embora seu aplicativo tivesse chamado o carro. O plano foi criar uma forma de gerar receita também nessas corridas, o que exigia mudanças no modelo, uma conta corrente para motoristas, comunicação com eles, alterações nos aplicativos de passageiros e motoristas e adaptações no sistema financeiro. Se essa monetização funcionasse, a companhia conseguiria equilibrar suas contas.

Q: Como comunicar uma crise financeira às lideranças da empresa?

A comunicação deve apresentar com transparência a situação real do caixa, a gravidade do risco e as medidas que serão tomadas. Na 99, cerca de 40 pessoas com cargos de coordenação ou superiores foram reunidas para conhecer entradas, saídas, reservas e o risco à existência da companhia. A mensagem não ficou limitada ao problema. A direção também apresentou um plano para solucioná-lo e estabeleceu um prazo de 45 dias para execução. Isso colocou as lideranças na mesma página e reduziu a incerteza que poderia alimentar o pânico.

Q: Como definir prioridades e responsabilidades durante uma crise?

A empresa deve escolher quatro ou cinco projetos diretamente relacionados à sobrevivência e acompanhar sua execução semanalmente com a diretoria e a gerência. A recomendação é atribuir um diretor responsável a cada iniciativa. Atividades, reuniões e projetos sem conexão direta com o equilíbrio financeiro devem ser postergados. Na experiência relatada, todas as equipes foram orientadas a revisar os 45 dias seguintes e concentrar seu esforço em alcançar o ponto de equilíbrio. As prioridades precisam ser comunicadas por toda a cadeia de liderança para que todos caminhem na mesma direção.

Q: Como um plano reduz o desespero das equipes em uma crise?

O desespero está fortemente ligado à falta de um caminho concreto. A crise possui um lado emocional, provocado pela percepção de que o mundo ao redor está mudando ou evaporando, mas também possui um lado racional que pergunta se existe uma saída executável. A liderança deve reconhecer a gravidade sem esconder informações e, ao mesmo tempo, construir um plano capaz de mostrar luz no fim do túnel. Quando as pessoas entendem o problema, as prioridades, os responsáveis e os prazos, a energia coletiva pode se tornar mais construtiva.

Summary & Key Takeaways

  • A sobrevivência durante uma crise depende do controle rigoroso do caixa. A empresa deve projetar receitas, acompanhar diariamente recebimentos e pagamentos e saber por quanto tempo suas reservas sustentam a operação.

  • A 99 enfrentou uma queima mensal de R$ 4 milhões em 2016, pois faturava R$ 2 milhões e custava R$ 6 milhões. Com menos de R$ 40 milhões em caixa, precisava mudar a operação antes do fim do ano.

  • A liderança reuniu cerca de 40 coordenadores e gestores, apresentou a gravidade do problema e definiu um plano de 45 dias. Toda atividade sem ligação direta com o equilíbrio financeiro foi postergada.


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