Como Ozires Silva iniciou a fabricação de aviões?

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November 9, 2012
by
Endeavor Brasil
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Como Ozires Silva iniciou a fabricação de aviões?

TL;DR

Fabricar um avião exige identificar uma necessidade de mercado, além de dominar a tecnologia. Ozires Silva e sua equipe desenvolveram um avião pequeno para atender cidades que perderam conexões aéreas com a expansão dos jatos. A trajetória reuniu formação em engenharia, pesquisa e persistência, mas o voo do protótipo ainda deixou um desafio: conseguir empresas e capital interessados em sua produção.

Transcript

eu vou começar quando eu era bastante jovem da hora da hora de 15 anos é eu já tive 15 anos vi pode vocês podem imaginar que não né mas eu nasci numa cidade no interior de Bauru interior de São Paulo Bauru aonde tinha um centro aviat bastante importante inclusive com um suíço foragido da Segunda Guerra Mundial que começou apertar na molecada que o ... Read More

Key Insights

  • Ozires Silva despertou para a fabricação de aviões ao conviver com um suíço no ambiente aeronáutico de Bauru.
  • A formação de engenheiros e técnicos foi apresentada como condição para o Brasil fabricar aviões.
  • Ozires concluiu engenharia aeronáutica no ITA em 1962 e permaneceu no centro de pesquisa da Força Aérea.
  • O Brasil passou de 350 cidades atendidas pelo transporte aéreo em 1957 para apenas 45 em 1965.
  • Os jatos exigiam pistas melhores e mais infraestrutura, afastando o serviço das pequenas e médias cidades.
  • A equipe projetou um avião pequeno para atender cidades menores e operar em pistas não pavimentadas.
  • O protótipo decolou em 22 de outubro de 1968 e surpreendeu os moradores de São José dos Campos.
  • O sucesso do voo não garantiu produção: empresas recusaram o projeto e investidores resistiram ao risco.

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Questions & Answers

Q: Como surgiu o interesse de Ozires Silva pela fabricação de aviões?

O interesse de Ozires Silva surgiu quando ele era jovem em Bauru, onde havia um centro de aviação importante. Um suíço que havia fugido da Segunda Guerra Mundial mostrava aos jovens as invenções presentes nos aviões e transmitia a ideia de que era possível fabricá-los. Ozires e seu amigo Benedito César passaram a questionar por que fabricantes estrangeiros dominavam os aviões do aeroclube. Dessa inquietação nasceu o desejo de estudar engenharia aeronáutica. Eles chegaram a escrever para universidades americanas, pois não conheciam uma escola brasileira que oferecesse essa formação.

Q: Como Ozires Silva chegou à formação em engenharia aeronáutica?

Ozires Silva começou pela Força Aérea após um sargento sugerir esse caminho a ele e ao amigo que compartilhava seu interesse por aviões. Os dois não passaram no primeiro concurso e precisaram estudar mais. Ozires ingressou como cadete em 1948 e se formou como oficial aviador em 1951. Em 1958, descobriu que poderia pedir autorização para prestar o concurso do ITA e receber uma bolsa da Força Aérea caso fosse aprovado. Aos 28 anos, retomou os estudos, conseguiu entrar e concluiu engenharia aeronáutica em 1962.

Q: Por que a formação de engenheiros era importante para fabricar aviões no Brasil?

A formação de engenheiros e técnicos aparece no relato como uma condição para desenvolver a fabricação de aviões no Brasil. Ozires menciona um coronel da Força Aérea que defendia essa ideia enquanto buscava convencer a instituição a criar o ITA. O avião era um produto complexo, técnico e cheio de tecnologia, o que exigia pessoas preparadas para trabalhar nesse mercado. Na trajetória de Ozires, essa preparação ganhou uma aplicação concreta quando ele concluiu o curso e foi convidado a permanecer no CTA, um centro de pesquisa da Força Aérea em São José dos Campos.

Q: Qual necessidade de mercado orientou o projeto de avião da equipe de Ozires Silva?

A necessidade identificada foi manter o transporte aéreo nas pequenas e médias cidades. Em um trabalho para o Estado-Maior da Aeronáutica, a equipe observou que o Brasil tinha 350 cidades atendidas pelo transporte aéreo em 1957 e apenas 45 em 1965. Segundo o relato, os jatos exigiam pistas melhores e mais infraestrutura, afastando-se das cidades menores. A equipe então perguntou como essas localidades seriam atendidas no futuro. A resposta orientou o desenvolvimento de um avião pequeno, capaz de operar em pistas não pavimentadas e adaptado às condições dessas cidades.

Q: Por que Ozires Silva considerava insuficiente construir um avião que apenas voasse?

Ozires Silva considerava que fazer um avião voar era uma grande realização tecnológica, mas que o produto precisava satisfazer uma necessidade para avançar comercialmente. Ao comentar tentativas anteriores de fabricação de aviões no Brasil, ele atribuiu suas dificuldades à falta de pensamento mercadológico. Sua equipe procurou relacionar o projeto a um problema concreto: a perda de atendimento aéreo das pequenas e médias cidades. Assim, as características do avião foram pensadas em função do serviço que deveria prestar. A escolha envolvia tanto a capacidade técnica de construção quanto a identificação de um espaço de mercado.

Q: Como a equipe reagiu à falta de concorrentes e às críticas ao projeto?

A equipe interpretou a ausência de fabricantes interessados naquele tipo de avião como uma oportunidade de entrar em um mercado sem concorrência identificada por eles. Quando críticos perguntavam por que fabricar algo que ninguém estava fabricando, Ozires respondia que não queria começar enfrentando concorrentes. Ele também relata que visitantes estrangeiros classificavam o projeto como uma grande besteira. Sua reação era buscar estímulo nessas críticas, considerando que, se o projeto tivesse sucesso, empresas que o desprezavam poderiam não disputar aquele espaço. Essa interpretação acompanhou a persistência da equipe durante o desenvolvimento do protótipo.

Q: Como foi possível construir o protótipo e qual foi a reação ao primeiro voo?

A equipe conseguiu que o ministro da Aeronáutica Eduardo Gomes autorizasse o uso das instalações do CTA, em São José dos Campos, para demonstrar o conceito por meio de um protótipo. Ozires descreve o trabalho como muito difícil e sem recursos, em um ambiente de pouca confiança no projeto. O avião decolou em 22 de outubro de 1968, causando surpresa na cidade. Segundo o relato, os integrantes eram conhecidos como os loucos do outro lado da Dutra. A surpresa aumentou quando a aeronave pousou, confirmando a demonstração que a equipe buscava realizar.

Q: Quais dificuldades surgiram para produzir o avião depois do voo do protótipo?

Depois do voo, a equipe precisava encontrar uma forma de produzir o avião. A primeira alternativa foi entregar o projeto a uma empresa existente, mas nenhuma aceitou. A segunda foi buscar capital para fabricar a aeronave no Brasil, também com dificuldades. Ozires relata que, em abril de 1969, um empresário de São Paulo rejeitou a ideia de investir em um avião de projeto nacional. O episódio mostra que demonstrar a viabilidade do protótipo não resolveu o financiamento da produção. O trecho termina com a menção à oferta de capital estrangeiro, sem apresentar o desfecho dessa alternativa.

Summary & Key Takeaways

  • Ozires Silva começou a sonhar com a fabricação de aviões em Bauru. Ingressou na Força Aérea, tornou-se aviador e retomou o objetivo ao conseguir estudar engenharia aeronáutica no ITA, formando-se em 1962.

  • A equipe identificou que os jatos deixavam pequenas e médias cidades sem atendimento. Desenvolveu um avião pequeno, capaz de operar em pistas não pavimentadas, para responder a essa necessidade de mercado.

  • O protótipo voou em 22 de outubro de 1968, surpreendendo São José dos Campos. A produção continuou difícil: empresas existentes recusaram o projeto, e a busca por capital encontrou resistência.


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