Como a TecVerde industrializou a construção?

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October 15, 2012
by
Endeavor Brasil
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Como a TecVerde industrializou a construção?

TL;DR

A TecVerde combinou tecnologia alemã adaptada ao Brasil, parcerias institucionais e uma nova experiência de compra para construir casas com menos tempo, custo e resíduos. Após enfrentar barreiras regulatórias e falta de financiamento, conquistou uma linha para casas sustentáveis em wood frame, ganhou credibilidade e iniciou sua expansão entre 2010 e 2011.

Transcript

eu fui criada no canteiro de obras o primeiro brinquedo foi um balde uma tela eu cantava os pregos na obra leva pra casa para desentortar achava que desfrutamos prédio estava salvando o mundo e na obra foi onde eu tive o contato com um todo a cultura da construção civil no brasil de os desperdícios os erros e à falta de manter como já avançada a qu... Read More

Key Insights

  • A infância no canteiro revelou a Caio os desperdícios e atrasos recorrentes da construção civil.
  • A formação em engenharia ofereceu uma base técnica, mas a atitude empreendedora partiu do próprio Caio.
  • A TecVerde percebeu que somente a tecnologia não garantiria uma boa experiência para o comprador.
  • A adaptação da tecnologia alemã ao Brasil exigiu ajustes culturais, técnicos e normativos.
  • A primeira casa consolidou quase dois anos de trabalho e pôde ser construída em três meses.
  • A proibição de financiar estruturas de madeira bloqueou inicialmente o acesso dos clientes ao crédito.
  • A mudança das regras bancárias e securitárias aumentou a credibilidade da solução perante o mercado.
  • O crescimento da empresa exige que seus líderes evoluam profissionalmente junto com o próprio negócio.

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Questions & Answers

Q: Como surgiu a ideia de criar a TecVerde?

A ideia nasceu da experiência de Caio Bonatto nos canteiros de obras da construtora de seu pai. Desde criança, ele observava desperdícios, erros, atrasos, custos excessivos e problemas relacionados à baixa qualificação e à escassez de trabalhadores. Antes mesmo de ingressar na faculdade, já acreditava que o setor precisava evoluir e se tornar mais industrializado. A confiança do pai, que o envolvia em decisões de projetos e soluções técnicas, também desenvolveu sua capacidade de assumir responsabilidades e buscar uma forma diferente de construir casas.

Q: Qual problema da construção civil a TecVerde buscou resolver?

A TecVerde buscou enfrentar processos considerados pouco tecnológicos e excessivamente manuais, simbolizados no relato pela necessidade de empilhar tijolos um a um. Esse modelo estava associado a desperdícios, baixa qualificação da mão de obra, escassez de trabalhadores, atrasos e custos elevados. A empresa pretendia construir em menos tempo, com menos custo e menos resíduos. Durante o desenvolvimento do negócio, os fundadores também concluíram que a solução não poderia ser apenas técnica, pois o comprador precisava ter uma experiência agradável, segura e confiável ao adquirir sua casa.

Q: Como a tecnologia estrangeira foi adaptada ao Brasil?

A equipe formou parcerias com a Federação das Indústrias do Paraná, o Senai, o Ministério da Economia da Alemanha e outras 34 empresas. Essa articulação permitiu trazer a tecnologia alemã e tropicalizá-la conforme a realidade brasileira. A adaptação considerou aspectos culturais, normativos e operacionais do país, além da necessidade de estruturar toda a cadeia de fornecedores capaz de produzir as casas. O trabalho durou praticamente dois anos até ser consolidado em uma casa, cuja construção foi concluída em três meses, segundo o relato de Caio.

Q: Por que a TecVerde teve dificuldade para obter financiamento?

A dificuldade surgiu porque a regulamentação brasileira não permitia financiar e assegurar uma casa como a da TecVerde, que utilizava madeira em sua estrutura. Durante cerca de um ano, a equipe procurou diferentes bancos sem conseguir uma solução. O problema era decisivo, pois, em um mercado aquecido, a ausência de crédito impedia a empresa de competir adequadamente e limitava o acesso dos consumidores ao produto. Caio descreve o desafio como uma disputa muito desigual para uma empresa com seis pessoas, cujos integrantes tinham menos de 22 anos.

Q: Como a empresa conseguiu viabilizar crédito para suas casas?

A mudança começou em um evento sobre sustentabilidade realizado na Federação das Indústrias, onde Caio conversou com um superintendente nacional do Santander ligado a novos negócios sustentáveis. Em reuniões posteriores, a equipe apresentou sua história, sua proposta de valor e sua ambição de tornar a construção mais sustentável e industrializada. Embora a empresa ainda representasse pouco volume de negócios, representantes bancários acreditaram na visão e assumiram a discussão regulatória. Após um período descrito como entre seis meses e um ano, regras de bancos e seguradoras foram alteradas e surgiu uma linha de financiamento para casas sustentáveis em wood frame.

Q: Que efeito o financiamento teve sobre o crescimento da TecVerde?

O financiamento funcionou como um marco porque tornou a compra das casas mais viável e reforçou a percepção de segurança do produto. Depois que a linha foi estabelecida, a TecVerde passou a ser melhor compreendida pelo mercado, conquistou mais credibilidade e ofereceu maiores garantias ao consumidor final. Segundo Caio, foi na virada de 2010 para 2011 que o negócio realmente decolou. O caso mostra que dominar a tecnologia e viabilizar uma fábrica não bastavam, pois o crescimento também dependia de crédito, regulamentação, seguros e confiança comercial.

Q: Por que as parcerias foram essenciais para a estratégia da TecVerde?

As parcerias deram à pequena equipe acesso a conhecimento, instituições e capacidade de influência que ela não possuía sozinha. A colaboração com entidades industriais, o Senai, o governo alemão, fornecedores, bancos e seguradoras ajudou a adaptar a tecnologia, organizar a produção e superar entraves regulatórios. Caio defende que tentar vencer uma guerra sozinho é muito difícil e que unir empresas e instituições fortalece as estratégias. Essa visão também levou a TecVerde a apoiar outros construtores interessados em executar projetos com sua tecnologia, pois um mercado maior beneficiaria o setor.

Q: O que Caio Bonatto considera necessário para realizar um grande sonho?

Caio considera o sonho uma parte fundamental, mas insuficiente sem execução diária, energia e responsabilidade compartilhada. Ele afirma que cada integrante é uma peça importante e que transformar uma empresa pequena em uma grande construtora de casas exige levantar todos os dias para tornar a visão real. Também entende que o empreendedor vive o negócio continuamente, pensando em problemas, estratégias e novas possibilidades. Para acompanhar uma empresa que pretende crescer, ele reconhece que precisa se capacitar, evoluir como pessoa e profissional e crescer junto com a organização.

Summary & Key Takeaways

  • Caio Bonatto conheceu desde criança os desperdícios, atrasos e problemas de qualificação nos canteiros. Essa vivência o levou a assumir o compromisso de modernizar e industrializar a construção civil brasileira.

  • A TecVerde articulou parceiros como Fiep, Senai, governo alemão e outras 34 empresas para trazer tecnologia da Alemanha, adaptá-la às normas e à cultura brasileiras e organizar a cadeia de fornecedores.

  • A empresa superou a falta de crédito ao convencer bancos e seguradoras a mudar regras que impediam o financiamento de casas com madeira estrutural. A conquista ampliou a confiança do consumidor e impulsionou o negócio.


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