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Método 2357: como funciona o cronograma de revisão

O método 2357 é um cronograma de revisão: você aprende um tema no dia 1 e o revisa nos dias 2, 3, 5 e 7. Guias de revisão do Reino Unido também o aplicam de trás para a frente a partir da prova, começando 18 dias antes. As duas versões se comportam de forma diferente, e a pesquisa sobre espaçamento sugere que a versão certa depende de quanto tempo falta para a sua prova.

16 min de leitura
Pontos-chave
    • O método diz quando, não como: os números definem os dias em que você volta a um tema. O que você faz nesses dias (se testar ou reler) é o que decide o quanto ele funciona.
  • Os números são lidos de dois jeitos: uma versão conta como dia 1 o dia em que você aprende algo e faz as revisões nos dias 2, 3, 5 e 7. A outra conta para trás a partir da prova, de modo que as sessões caem 18, 11, 6, 3 e 1 dias antes dela, e os intervalos encolhem à medida que a prova se aproxima.
  • As evidências sobre intervalos que encolhem são mistas: em um experimento de 2014 com 210 participantes, um cronograma de intervalos decrescentes superou os de intervalos iguais e crescentes quando o teste era feito 1 ou 7 dias depois da última sessão, mas perdeu aos 35 dias. Estudos anteriores constataram que os intervalos crescentes venciam os decrescentes, então o formato da contagem regressiva é uma aposta razoável, não uma vantagem comprovada.
  • O espaçamento importa mais do que os números exatos: uma meta-análise de 2021 com 29 estudos encontrou um benefício claro em espaçar a prática de recuperação (g = 0,74 depois de corrigido o viés de publicação) e nenhuma diferença confiável entre intervalos que crescem e intervalos que continuam iguais.
  • Toda sessão deve ser um teste: em um estudo de 2008 publicado na Science, os estudantes que continuaram recuperando o vocabulário da memória lembraram cerca de 80% dele uma semana depois. Os estudantes cujas palavras já recordadas eram retiradas dos testes seguintes ficaram em 33-36%.
  • O dia 7 não é a linha de chegada: para tudo aquilo de que você vai precisar além das próximas semanas, continue revisando com intervalos medidos em semanas. Em um estudo de 2008 com mais de 1.350 pessoas, o melhor intervalo para um teste dali a cerca de um ano ficou em torno de três a quatro semanas.

O que é o método 2357?

O método 2357 (também escrito 2-3-5-7) é um cronograma de repetição espaçada para revisar a matéria. Você aprende um tema no dia 1 e o revisa nos dias 2, 3, 5 e 7, de modo que cada tema recebe quatro revisões na primeira semana. Os intervalos entre as sessões começam em um dia e crescem para dois.

Ele funciona? Na maioria dos casos, sim, desde que você transforme cada sessão em um teste e continue revisando depois que o cronograma terminar. Os números são uma regra prática dos guias de revisão, e não um cronograma testado em laboratório, mas eles trazem embutido o espaçamento, uma das duas únicas técnicas de estudo que uma grande revisão de pesquisas de 2013 classificou como de "alta utilidade". A outra, a prática de testes, depende do que você faz em cada sessão.

"Espace as suas revisões" é um conselho que ninguém consegue pôr em prática às 9 da noite, com aula no dia seguinte. Quatro datas na agenda, por outro lado, são algo que dá para cumprir.

Antes de começar:

  • Os números são lidos de dois jeitos. Alguns guias os contam para a frente, a partir do dia em que você aprende um tema. Outros, como as páginas de revisão da Birmingham City University e o site The Complete University Guide, os contam para trás, a partir da data da prova.
  • O cronograma só diz quando. O que você faz em cada dia de revisão importa mais. Puxar a informação da memória funciona melhor do que colocá-la de novo diante dos olhos.

O método combina bem com o método blurting, outro clássico da revisão para provas no Reino Unido: o 2357 escolhe os dias, e um blurt é o que você faz em cada um deles.


Duas versões: o ciclo de 7 dias e a contagem regressiva para a prova

Versão 1: o ciclo de 7 dias. Leia os números como números de dias. O dia 1 é quando você tem o primeiro contato com o tema, seja na aula, num livro didático ou numa videoaula. Você o revisa nos dias 2, 3, 5 e 7 (ou seja, 1, 2, 4 e 6 dias depois de aprendê-lo), e o ciclo termina. Esta versão combina com o período letivo, quando chega matéria nova toda semana e ainda não há data de prova.

Versão 2: a contagem regressiva para a prova. Já o guia de revisão da Birmingham City University parte da prova. Marque uma sessão para a véspera da prova, depois conte dois dias para trás e marque outra, depois três dias, depois cinco, depois sete. O site The Complete University Guide dá a mesma receita e acrescenta uma regra: a sessão da véspera de cada prova deve ser uma prova anterior (uma prova oficial de anos passados, resolvida como simulado). Os dois observam que o plano começa 18 dias antes, porque 1 + 2 + 3 + 5 + 7 = 18.

Lado a lado, as duas versões ficam assim:

Ciclo de 7 diasContagem regressiva para a prova
O que os números significamNúmeros de dias, sendo o dia 1 aquele em que você aprende o temaPassos contados para trás a partir da véspera da prova
Quando você estudaDias 1, 2, 3, 5 e 718, 11, 6, 3 e 1 dias antes da prova
Intervalos entre as sessões1, 1, 2 e 2 dias7, 5, 3 e 2 dias, e depois 1 dia até a prova
FormatoOs intervalos aumentam (crescente)Os intervalos diminuem (decrescente)
Duração totalUma semana18 dias, terminando na prova
Mais indicado paraMatéria nova durante o período letivoUma prova com data marcada daqui a duas ou três semanas

Repare na linha dos intervalos. Os mesmos quatro algarismos, formatos opostos. No ciclo de 7 dias, os intervalos ficam mais longos, o que os pesquisadores da memória chamam de cronograma crescente (ou expansivo). Na contagem regressiva, eles ficam mais curtos: é um cronograma decrescente. Os pesquisadores já puseram esses formatos frente a frente, com resultados mistos; a seção sobre a pesquisa, mais abaixo, mostra o que eles encontraram.


Por que a revisão espaçada é melhor do que estudar tudo na véspera

Em 1885, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus publicou experimentos em que memorizava listas de sílabas sem sentido e media a rapidez com que as esquecia. A curva do esquecimento que ele traçou mostrou que a memória cai mais depressa logo após o aprendizado e então se estabiliza. Todo cronograma de repetição espaçada, inclusive o método 2357, é uma tentativa de alcançar o material nessa curva antes que ele escorregue demais.

As evidências de que o espaçamento funciona estão entre as mais sólidas de toda a psicologia educacional. Em 2006, Nicholas Cepeda e colegas reuniram, na Psychological Bulletin, 839 avaliações de prática distribuída vindas de 317 experimentos publicados em 184 artigos. Distribuir as sessões de estudo superou concentrá-las num bloco só, e o melhor intervalo entre as sessões ficava mais longo à medida que aumentava o tempo até o teste. Guarde bem essa segunda descoberta: é diante dela que o método 2357 precisa se justificar.

Em 2013, John Dunlosky e quatro colegas avaliaram, na Psychological Science in the Public Interest, dez técnicas de estudo comuns. Só duas ganharam a nota máxima, "alta utilidade": a prática de testes e a prática distribuída. Um cronograma 2357 já é, pela própria estrutura, prática distribuída, e se você fizer de cada sessão um teste, estará aplicando as duas ao mesmo tempo. Destacar e reler, dois dos hábitos de estudo mais populares, receberam nota baixa.

Deixar tudo para a véspera parece mais eficaz do que é, e Nate Kornell mediu essa sensação em 2009, com flashcards de vocabulário do tipo cobrado no GRE (o exame de admissão para a pós-graduação nos EUA). Para 90% dos participantes, estudar uma única pilha grande, que espaça cada cartão, foi melhor do que estudar quatro pilhas pequenas, uma depois da outra. Mesmo assim, depois da primeira sessão, 72% deles acreditavam que as pilhas pequenas tinham funcionado melhor, um caso clássico de ilusão de competência. O espaçamento também superou o estudo de véspera, isto é, concentrar todo o estudo no último dia antes do teste.

No 2357, isso quer dizer que as sessões em que um tema ainda parece frágil são as que estão fazendo o trabalho. Uma revisão que custa esforço, porque o material já está meio esquecido, tende a fazer mais pela memória do que uma que flui fácil porque você viu as anotações uma hora antes.


O método 2357 funciona? O que diz a pesquisa

Na maioria dos casos, sim, se a sua prova estiver a poucas semanas de distância e toda sessão for um teste. Nenhum estudo testou o 2357 com esse nome, então as evidências vêm de estudos sobre as suas partes, e três linhas de pesquisa importam aqui. Antes, uma ressalva: esses estudos usaram sobretudo pares de palavras e fatos, e não temas inteiros do GCSE (os exames oficiais que os estudantes do Reino Unido fazem por volta dos 16 anos), então trate-os como o melhor guia disponível, e não como uma garantia.

O espaçamento importa muito mais do que o fato de os intervalos crescerem ou ficarem iguais. Em 2021, Alice Latimier, Hugo Peyre e Franck Ramus reuniram 29 estudos na Educational Psychology Review. Espaçar a prática de recuperação superou concentrá-la num bloco só por uma ampla margem (g = 0,74 depois de corrigido o viés de publicação; g é uma medida de tamanho de efeito, em que 0,5 conta, por convenção, como médio e 0,8 como grande). Na comparação entre intervalos crescentes e iguais, não houve diferença confiável (g = 0,034), e os intervalos decrescentes não fizeram parte dessa comparação. O guia do sistema Leitner percorre essa meta-análise em mais detalhes, inclusive a única condição em que os intervalos crescentes começaram a parecer melhores.

Os intervalos que encolhem têm um resultado forte a favor e alguns contra. Em um artigo de 2014 na Memory & Cognition, Carolina Küpper-Tetzel, Irina Kapler e Melody Wiseheart fizeram 210 participantes aprenderem 28 pares de palavras em três sessões distribuídas ao longo de sete dias, seguindo um destes três cronogramas:

  • Decrescente: um intervalo de 5 dias, depois um de 1 dia
  • Igual: 3 dias, depois mais 3 dias
  • Crescente: 1 dia, depois 5 dias

Os participantes fizeram um teste final 15 minutos, 1 dia, 7 dias ou 35 dias depois da última sessão. Aos 15 minutos, os três cronogramas empataram. Quando o teste foi feito 1 dia depois, os autores relatam uma recordação livre 23% maior no cronograma decrescente do que nos outros dois e, aos 7 dias, 21% maior. Aos 35 dias, o resultado se inverteu, e os cronogramas igual e crescente saíram 43% à frente. O igual e o crescente nunca diferiram entre si.

Os autores descreveram o resultado como a primeira demonstração de que intervalos que encolhem podem vencer, e estudos anteriores apontam para o outro lado. Um estudo de Tsai, de 1927, encontrou o melhor desempenho com intervalos crescentes em testes feitos 3 e 7 dias depois, e Gerbier e Koenig (2012) constataram que os intervalos decrescentes perdiam para os crescentes em um teste dois dias depois da última sessão. Além disso, o experimento de 2014 usou três sessões em uma semana, e não cinco ao longo de 18 dias. Então o formato da contagem regressiva é uma aposta razoável para uma prova próxima, e não uma vantagem comprovada.

O melhor intervalo depende de por quanto tempo você precisa lembrar. Em 2008, Cepeda e colegas ensinaram um conjunto de fatos a mais de 1.350 pessoas e deram a elas uma única revisão depois de um intervalo de até 3,5 meses. Em seguida, testaram essas pessoas até um ano mais tarde. Para qualquer data de teste, as notas subiam à medida que o intervalo crescia, chegavam a um pico e então caíam devagar, e o pico chegava mais tarde quanto mais distante estava o teste. Como fração do tempo até o teste, o melhor intervalo ficou em cerca de 20-40% para um teste dali a uma semana e em cerca de 5-10% para um teste dali a um ano.

Junte as três descobertas e cada versão recebe um veredito:

VersãoIntervalosO que a pesquisa sugereVeredito
Ciclo de 7 diasDe 1 a 2 dias, crescentesPara um teste dali a uma semana, o melhor intervalo único ficou em cerca de 1,5 a 3 dias (Cepeda, 2008)Bom para a primeira semana com matéria nova, mas curto demais, sozinho, para uma prova daqui a um mês ou mais
Contagem regressiva para a provaDe 7 dias até 1, decrescentesEm um experimento, os intervalos decrescentes venceram quando o teste foi feito 1 ou 7 dias depois da última sessão (Küpper-Tetzel, 2014); outros estudos discordamUm plano sólido para uma prova com data marcada, mas fraco para qualquer coisa de que você precise muito depois da prova

As duas versões têm o seu lugar e respondem a perguntas diferentes. A contagem regressiva é uma escolha padrão sensata quando você tem uma data de prova: ela garante cinco sessões espaçadas, a última na véspera da prova. O ciclo de 7 dias é o melhor hábito durante o período letivo, desde que você não trate o dia 7 como o fim.


O que fazer em cada sessão do 2357: teste-se, não releia

Um cronograma 2357 diz que o dia 5 é dia de revisão. Ele não diz o que fazer nessa hora, e o caminho automático (abrir as anotações e lê-las de novo) tira muito menos proveito da sessão.

A evidência mais clara vem do estudo de Jeffrey Karpicke e Henry Roediger publicado em 2008 na Science. Estudantes aprenderam 40 pares de palavras suaíli-inglês no computador, no estilo flashcard, em quatro condições.

Uma semana depois, os estudantes que tinham continuado a recuperar todos os pares, inclusive os que já tinham acertado, lembraram cerca de 80%. Os estudantes cujos pares eram retirados dos testes assim que eles os recordavam ficaram em 36% e 33%. Por outro lado, rodadas extras de estudo dos pares que eles já conseguiam recordar não melhoraram em nada a recordação uma semana depois. Todos os grupos previram que lembrariam cerca de 50%, ou seja, os estudantes não faziam ideia de qual método os estava ajudando.

Então faça de cada sessão do 2357 uma sessão de recuperação. Alguns jeitos de fazer isso:

  • Faça um blurt. Escreva numa página em branco tudo o que você lembra sobre o tema, depois confira com as suas anotações e preencha as lacunas com outra cor.
  • Responda a perguntas. Transforme as suas anotações em perguntas no dia 1 e responda a elas de memória em cada sessão. Isso é recordação ativa na sua forma mais simples.
  • Resolva questões de prova. Questões de provas anteriores são recuperação em condições de prova, e é por isso que a contagem regressiva do site The Complete University Guide faz da última sessão uma prova anterior.
  • Explique em voz alta. Ensine o tema a um amigo, ou a uma cadeira vazia, sem olhar as anotações. Depois confira o que você deixou de fora.

Seja qual for a sua escolha, confira depois as suas respostas com a fonte. A recuperação faz o trabalho, mas uma resposta errada que você nunca corrige pode se fixar.

Aqui vai um exemplo de plano para um tema no ciclo de 7 dias:

DiaSessãoTempo aproximado
1Aprenda o tema: leia ou assista, destaque o que importa, escreva de 5 a 10 perguntas45 a 60 min
2Faça um blurt do tema de memória, depois confira e preencha as lacunas15 min
3Responda às suas perguntas sem as anotações e marque cada erro15 min
5Faça um novo blurt, desta vez incluindo como as ideias se conectam15 min
7Questões cronometradas no estilo da prova sobre o tema20 a 30 min

Ajuste os tempos ao tema: os densos pedem mais tempo, e uma lista curta de vocabulário pede menos.


Como montar um cronograma de revisão 2357

Para uma prova com data marcada, monte a versão da contagem regressiva:

  1. Liste todas as provas e as datas delas. Coloque tudo num só calendário, de papel ou digital.
  2. Marque a véspera de cada prova como uma sessão de prova anterior.
  3. Conte para trás a partir desse dia. Volte 2 dias, depois mais 3, depois mais 5, depois mais 7, e marque uma sessão em cada parada. Você vai chegar a 3, 6, 11 e 18 dias antes da prova.
  4. Divida as matérias grandes. Se uma sessão não der conta de uma matéria inteira, faça uma contagem regressiva separada para cada prova ou unidade da matéria.
  5. Resolva conflitos movendo uma sessão um dia para a frente ou para trás. É uma mudança pequena, e os estudos que compararam intervalos iguais e crescentes concluíram que o padrão exato importava menos do que o próprio espaçamento.
  6. Use os dias vazios para os temas em que você está mais fraco. O site The Complete University Guide sugere usar os dias livres para os temas ou matérias que precisarem deles, e os seus resultados nas provas anteriores vão mostrar quais são.

Aqui vai um exemplo completo com três provas em junho:

SessãoDias antes da provaBiologia (prova em 8 de junho)Química (prova em 11 de junho)História (prova em 15 de junho)
11821 de maio24 de maio28 de maio
21128 de maio31 de maio4 de junho
362 de junho5 de junho9 de junho
435 de junho8 de junho12 de junho
5 (prova anterior)17 de junho10 de junho14 de junho

Duas coisas aparecem logo de cara. Alguns dias têm duas matérias (28 de maio, 5 de junho), e tudo bem. E a quarta sessão de Química cai no dia da prova de Biologia, então mude-a para 9 de junho (que passa a ter História também) ou faça uma sessão curta naquela noite.

Para transformar isso num modelo de planilha reutilizável, coloque a data da prova na célula B2 e use =B2-18, =B2-11, =B2-6, =B2-3 e =B2-1 para as cinco sessões, formatando as células como data. Para o ciclo de 7 dias, coloque em B2 o dia em que você aprendeu o tema e use =B2+1, =B2+2, =B2+4 e =B2+6.

Se você usa o ciclo de 7 dias durante o período letivo, cuidado com o acúmulo. Com um tema novo por dia, a partir do dia 7 todo dia terá esse tema novo mais quatro revisões de temas anteriores. A 15 minutos por revisão, isso dá uma hora de revisão por dia antes de você aprender qualquer coisa nova. Planeje-se para isso, ou comece temas novos em dias alternados.


Onde o método 2357 deixa a desejar

Ele termina cedo demais para a memória de longo prazo. Quatro revisões em uma semana, ou cinco sessões em 18 dias, podem levar você até uma prova ainda este mês. Isso não basta para um material de que você vai precisar no próximo período, para uma prova final que cobre o ano inteiro ou para um idioma. Quanto mais distante o teste, mais longo o melhor intervalo: para um teste daqui a cerca de um ano, a equipe de Cepeda o estimou em torno de três a quatro semanas.

Harry Bahrick e três membros da família dele, todos psicólogos, testaram intervalos longos em si mesmos num estudo de nove anos publicado em 1993. Eles aprenderam 300 pares de palavras em língua estrangeira, depois os reaprenderam em 13 ou 26 sessões espaçadas por 14, 28 ou 56 dias, e foram testados até cinco anos depois do fim do treino. Treze sessões com 56 dias de intervalo deram mais ou menos a mesma retenção que 26 sessões com 14 dias de intervalo. Metade das sessões fez o mesmo trabalho, embora tenha levado o dobro do tempo no calendário.

Quando o dia 7 terminar, continue com intervalos mais longos: duas semanas, depois um mês.

Ele trata todos os temas do mesmo jeito. Um tema que você acertou em cheio no dia 2 recebe as mesmas quatro revisões que um em que você deu branco. Sistemas de flashcards como a caixa de Leitner e o Anki se adaptam a cada item e mandam os erros de volta para intervalos curtos. Você pode pegar a ideia emprestada: se for mal numa revisão, trate aquele dia como um novo dia 1 para o tema e recomece o ciclo.

Um cronograma cheio pode esconder a releitura. Quatro sessões de revisão por dia parecem produtivas mesmo quando todas elas são releitura. Se uma sessão não tem nenhuma pergunta, nenhuma página em branco e nenhuma prova anterior, provavelmente é releitura.


Método 2357 vs Leitner vs Anki: qual cronograma combina com você?

O método 2357 agenda temas. Os sistemas de flashcards agendam fatos isolados. É essa diferença que define qual deles serve para você.

MétodoQuando você revisaAdapta-se a você?Ideal paraCuidado com
2357, ciclo de 7 diasDias 2, 3, 5 e 7, contando o dia do aprendizado como dia 1NãoTemas novos durante o período letivoTermina no dia 7
2357, contagem regressiva para a prova18, 11, 6, 3 e 1 dias antes da provaNãoUma prova com data marcada daqui a duas ou três semanasFraco para qualquer coisa necessária depois da prova
Caixa de LeitnerCada caixa no seu próprio ciclo; os erros voltam para a Caixa 1Sim, por cartãoVocabulário, fórmulas e definições em cartões de papelA Caixa 1 fica inundada se você adiciona cartões depressa demais
AnkiPor cartão, conforme a nota que você dá a cada respostaSim, por cartãoBaralhos grandes de que você precisa por meses ou anosAs revisões viram uma bola de neve se você pula dias
Calculadora de repetição espaçada do Glasp1, 3, 7, 14, 30, 60 e 120 dias depois do início; com uma data de prova, as revisões mais tardias são descartadas e uma última cai na vésperaNãoUm plano mais longo, de intervalos crescentes, que você pode pôr no seu calendárioIntervalos fixos, sem adaptação
Estudar na vésperaTudo na última horaNãoNada que você precise guardarEsquecimento rápido, com a sensação de que funcionou

O agendador que o Anki usa por padrão há muitos anos se baseia no algoritmo SM-2 do SuperMemo. Desde a versão 23.10, lançada em 1º de novembro de 2023, o Anki também oferece suporte ao FSRS, um agendador de código aberto que modela a probabilidade de você lembrar cada cartão e marca a próxima revisão de acordo com ela.

Uma divisão sensata para a maioria dos estudantes:

  • Use o 2357 para temas inteiros e matérias dissertativas, em que a prova pede que você reconstrua um tema de memória. Um blurt em cada sessão se encaixa naturalmente.
  • Use flashcards (Leitner ou Anki) para os fatos atômicos dentro desses temas: datas, fórmulas, vocabulário, definições.
  • Use os dois numa matéria como biologia: uma contagem regressiva 2357 para cada unidade, com um baralho de termos-chave rodando em paralelo.

Como aplicar o método 2357 aos seus destaques e vídeos

O dia 1 é de onde vem o material, e hoje em dia ele costuma ser uma mistura de PDFs, páginas da web, capítulos no Kindle e videoaulas. As sessões de revisão só funcionam se você conseguir encontrar rapidamente aquilo que, no dia 1, decidiu que importava.

Antes, um aviso: a revisão de Dunlosky e colegas deu nota baixa ao ato de destacar, por si só. O valor dele aqui está em ser a etapa de captura que alimenta as suas sessões de recuperação, e não o estudo em si.

Um passo a passo simples:

  1. Capture no dia 1. Destaque as ideias principais enquanto lê, com o destacador web do Glasp, que funciona em páginas da web e em PDFs e guarda todos os destaques num só lugar. Para aulas e vídeos explicativos, o YouTube Summary oferece um resumo e uma transcrição com marcações de tempo. Lê no Kindle? Importe os seus destaques do Kindle para que eles fiquem ao lado de todo o resto.
  2. Transforme destaques em perguntas. Um destaque é uma resposta. Escreva a pergunta que ele responde, e você terá o material dos dias 2 e 3.
  3. Use os destaques como gabarito, não como material de estudo. Em cada sessão, faça o blurt ou responda primeiro, e só depois abra os seus destaques para conferir. Se você os reler antes, a sessão de recuperação volta a ser uma sessão de releitura.
  4. Continue depois do dia 7. A calculadora de repetição espaçada gratuita do Glasp recebe uma data de início e, se você quiser, uma data de prova, e devolve um cronograma de revisões que você pode baixar como arquivo .ics para o Google Agenda, o Calendário da Apple ou o Outlook. Ela não segue o 2357: agenda revisões 1, 3, 7, 14, 30, 60 e 120 dias depois da data de início. Informe como data de início o dia em que você teve o primeiro contato com o tema e pule as revisões de 1, 3 e 7 dias, que se sobrepõem à sua semana 2357; as revisões de 14, 30, 60 e 120 dias continuam de onde a semana parou.

Perguntas frequentes

O que é o método 2357?

O método 2357 é um cronograma de revisão baseado em repetição espaçada. Na versão que conta para a frente, você aprende um tema no dia 1 e o revisa nos dias 2, 3, 5 e 7. Uma segunda versão conta para trás a partir de uma prova e coloca as sessões 18, 11, 6, 3 e 1 dias antes dela.

O método 2357 funciona mesmo?

Na maioria dos casos, sim, para uma prova nas próximas semanas. Espaçar as sessões de estudo é uma das descobertas mais bem fundamentadas da pesquisa sobre aprendizagem. As evidências sobre os intervalos decrescentes da versão de contagem regressiva são mistas: um experimento de 2014 concluiu que eles levaram vantagem quando o teste foi feito 1 ou 7 dias depois da última sessão, enquanto estudos anteriores constataram que os intervalos crescentes se saíam melhor. O método rende mais quando cada sessão é um autoteste, e não uma releitura.

Como montar um cronograma de revisão 2357?

Anote a data da prova, programe uma prova anterior para a véspera e então conte 2, 3, 5 e 7 dias para trás, marcando uma sessão em cada ponto. Assim, a sua primeira sessão fica 18 dias antes da prova. Para um modelo de planilha reutilizável, coloque a data da prova numa célula e subtraia dela 18, 11, 6, 3 e 1.

Quantos dias antes da prova devo começar o método 2357?

A versão de contagem regressiva começa 18 dias antes da prova. Se você tiver menos tempo, encurte os intervalos e mantenha o máximo de sessões que conseguir. Se tiver mais, acrescente intervalos mais longos no começo (um mês, depois duas semanas) e termine com a contagem regressiva 2357.

O que devo fazer em cada sessão do 2357?

Teste-se. Faça um blurt do tema numa página em branco, responda a perguntas de memória ou resolva questões de provas anteriores, e depois confira com as suas anotações. Em um estudo de 2008 sobre aprendizagem de vocabulário, os estudantes testados em todas as palavras, em todas as rodadas, lembraram cerca de 80% uma semana depois, enquanto aqueles cujas palavras já recordadas eram retiradas dos testes ficaram em 33-36%.

O que fazer depois do dia 7 do método 2357?

Continue revisando, com intervalos mais longos: cerca de duas semanas, depois um mês, depois a cada poucos meses. O método 2357 cobre uma semana, ou 18 dias na versão de contagem regressiva, e a memória de longo prazo precisa de intervalos medidos em semanas.

O método 2357 é melhor do que o Anki ou o sistema Leitner?

Eles têm funções diferentes. O método 2357 agenda temas inteiros em dias fixos, o que combina com matérias dissertativas e contagens regressivas para provas. O Anki e o sistema Leitner agendam flashcards individuais e se adaptam ao quanto você domina cada um, o que combina com vocabulário, fórmulas e definições. Você pode usar os dois ao mesmo tempo.

Posso usar o método 2357 para os GCSEs e os A-Levels?

Sim. Ele combina com uma temporada de provas com calendário fixo, como a dos GCSEs ou a dos A-Levels (os exames que encerram o ensino médio no Reino Unido): faça uma contagem regressiva por matéria ou por prova, e desloque em um dia as sessões que coincidirem. Use-o junto com o blurting nas matérias dissertativas e com flashcards para os termos-chave.


Coloque o seu primeiro ciclo 2357 no calendário

O método 2357 é útil porque transforma o espaçamento, uma das descobertas mais confiáveis da pesquisa sobre memória, em um punhado de datas. Escolha a versão que combina com você: o ciclo de 7 dias para matéria nova durante o período letivo, a contagem regressiva para uma data de prova. Depois, faça de cada sessão um teste, e não pare no dia 7 se você precisar do material por mais do que algumas semanas.

Comece com um tema que você aprendeu hoje. Destaque o que importa com o Glasp, escreva cinco perguntas e coloque os dias 2, 3, 5 e 7 no seu calendário antes de fechar o livro.

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