O custo do discipulado: a doutrina da imitação de Cristo (Portuguese Edition)

O custo do discipulado: a doutrina da imitação de Cristo (Portuguese Edition)

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Tayllon CarvalhoVinicios OliveiraMateus De Oliveira RichterMateus de Souza SantosCleiton RochaJean Gabriel

About This Book

O custo do discipulado argumenta que seguir Jesus não é uma adesão casual a uma multidão, mas uma decisão consciente que exige avaliar seu preço. Tomando como base Lucas 14.25-35, o autor (Jonas) sustenta que o verdadeiro discipulado impõe três demandas inegociáveis.

O livro distingue a "grande multidão" anônima — que segue Jesus do próprio jeito, ressignificando o que ofende seu amor-próprio — da verdadeira igreja, formada por quem segue Jesus nos termos de Jesus. Calcular o custo, como o construtor da torre ou o rei que pondera a guerra, é tomar consciência do que se perde e se ganha.

Um segundo eixo central é a doutrina da imitação em oposição à "doutrina da especulação". Inspirando-se em Tomás de Kempis, Agostinho e C. S. Lewis, o autor critica o evangelho social de Charles Sheldon, que reduziria o discipulado a imitar padrões morais especulados de Cristo. Para ele, a verdadeira imitatio Christi é mimética e mediada pela pregação apostólica: imitamos Cristo imitando os apóstolos. Discipular, portanto, é pagar o preço de imitar Jesus antes de ajudar outros a segui-lo. A obra encerra defendendo uma cultura de discipulado, não de consumo, capaz de formar autênticos "pequenos Cristos" e de oferecer modelos dignos de admiração a uma geração sem heróis.

Key Takeaways

Top Highlights

Ora, a manutenção do anonimato é o que faz de qualquer multidão um lugar confortável para aqueles que desejam seguir Jesus sem compromisso. Isso vale tanto para as multidões dos tempos de Jesus como para as multidões de nossos dias. Naquele tempo — e também hoje —, associar-se a Jesus significava enfrentar uma reação quase sempre negativa, e que frequentemente começava em casa, na família, e poderia facilmente tornar-se uma oposição sistemática dos líderes religiosos, como os fariseus e escribas, por exemplo. Por isso, muitos evitavam identificar-se com Jesus e com seu ensino, pois poderiam ser rejeitados por seus próprios familiares e pela comunidade religiosa. Entretanto, para seguir Jesus, de acordo com os termos que ele estabelecera, era necessário sair do anonimato. Era preciso comprometer-se publicamente. Em outras palavras, não dava para seguir Jesus sem mostrar o rosto, sem assumir, diante de todos, seu compromisso com ele. Portanto, para seguir Jesus, é preciso sair das sombras, das trevas. Para sair das multidões e tornar-se discípulo de Jesus, é necessário atender a três demandas. No versículo 26, Jesus apresenta a primeira delas com a condicional “Se alguém vem a mim”. Essa condicional deve ser pressuposta também nas outras duas demandas (vv. 27 e 33). Por exemplo: (1) Se alguém vem a mim e não apresenta esse amor, então não pode ser meu discípulo; (2) Se alguém vem a mim e não apresenta esse sofrimento, então não pode ser meu discípulo; (3) Se alguém vem a mim e não apresenta esse desapego, então não pode ser meu discípulo. Isso significa que seguir Jesus não era apenas embrenhar-se no meio de uma turba que o seguia. A verdadeira igreja não é uma multidão que simplesmente segue Jesus, mas a reunião de todos aqueles que seguem Jesus nos termos de Jesus, ou seja, é a assembleia daqueles que se recusam a seguir Jesus do próprio jeito, meramente como curiosos, retendo apenas o que lhes agrada e descartando tudo mais. Em suma, trata-se da reunião daqueles que seguem Jesus como Jesus quer ser seguido. Na “grande multidão”, estavam aqueles que queriam seguir Jesus segundo seus próprios termos — trata-se de nossa terrível mania de querer “ressignificar” conceitos que ofendem nosso amor-próprio. Ressignificamos com a finalidade única de favorecer objetivos pessoais. Mas, então, Jesus colocou o machado na raiz do problema. Agora ele está confrontando…

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A verdadeira igreja não é uma multidão que simplesmente segue Jesus, mas a reunião de todos aqueles que seguem Jesus nos termos de Jesus, ou seja, é a assembleia daqueles que se recusam a seguir Jesus do próprio jeito, meramente como curiosos, retendo apenas o que lhes agrada e descartando tudo mais. Em suma, trata-se da reunião daqueles que seguem Jesus como Jesus quer ser seguido.

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Facilmente serás enganado se só olhares para as aparências dos homens. Se procuras alívio e proveito nos outros, quase sempre terás prejuízo. Procura a Jesus em todas as coisas, e Jesus acharás. Se te buscas a ti mesmo, também te acharás, mas para a tua ruína. Pois o homem que não busca a Jesus é mais nocivo a si mesmo que todo o mundo e seus inimigos todos. — Tomás de Kempis, Imitação de Cristo (II,7)

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Ele fala sobre sermos cativados por um modelo que é Cristo e, por meio de Cristo, sermos cativantes aos outros.

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Sua busca maior sempre foi por discípulos comprometidos com ele e com seu ensino, discípulos capazes de segui-lo e conscientes do custo dessa decisão. Por isso, Jesus fez uma exortação àquela multidão sobre a necessidade da consciência do custo do discipulado.

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Por isso, mais do que nunca, a igreja precisa abandonar a cultura de consumo, centrada nas pessoas e em suas necessidades, e investir na cultura de discipulado, centrada em Cristo e em sua missão gloriosa. Só o discipulado é capaz de garantir a formação de autênticos “pequenos Cristos” (At 11.26). Todavia, o começo dessa mudança não vem com “métodos de discipulado eficaz”, mas com a imitação de Cristo.

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O verdadeiro discípulo ama Jesus como Deus, ou seja, acima da família e de sua própria vida. Só Deus deve ser amado mais do que amamos nossa família e a nós mesmos. Imagine você que muitos daqueles que seguiam Jesus anonimamente, no meio daquela grande multidão, estavam hesitando em ter tal comprometimento com Jesus e com seu ensino porque estavam sob constante ameaça de sua própria família. Imagine que muitos deles poderiam ter ouvido de seus pais, de seus cônjuges ou até mesmo de toda a família o seguinte: “Você precisa decidir entre continuar seguindo…

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Lucas quer que seu leitor entenda que não apenas Jesus estava consciente da oposição ao seu ensino, mas também que todo aquele que quisesse seguir Jesus precisaria também estar consciente dos sofrimentos decorrentes desse comprometimento. Portanto, não é qualquer sofrimento, mas os sofrimentos que decorrem do fato de seguir Jesus.

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Jesus. No discipulado, não vale o “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, pois só é possível discipular sendo, falando e agindo como discípulo, como um imitador de Cristo. Esta é a essência e a condição do discipulado: para ajudar alguém a seguir Jesus, é necessário, antes, pagar o preço de imitar Jesus.

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Em poucas palavras, podemos dizer que “seguir Jesus”, nessa perspectiva, não passava de uma redução do discipulado à observação de um código de padrões morais que se inspira na especulação das virtudes éticas de Cristo. Assim, basta ao cristão imitar os padrões morais de Cristo e pronto, o discipulado estará feito. O problema é que não é necessário sequer acreditar na existência de Deus para seguir os padrões morais de Cristo. É possível ser ateu e viver sob padrões morais cristãos. A situação espiritual da Europa, sobretudo no século XIX, é um claro exemplo disso. Inclusive essa situação explica uma das razões da crítica de Friedrich Nietzsche à comunidade intelectual alemã, que, a seu ver, era hegemonicamente cética quanto à existência de Deus, embora nutrisse profundo respeito pelos padrões morais cristãos.

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AI Review

4.0/ 5

A análise da Glasp de 5 leitores e suas marcações indica forte consenso em torno das passagens centrais sobre as três demandas do discipulado e a doutrina da imitação, com leitores valorizando a profundidade bíblica e a aplicação à vida da igreja.

Pros

  • +Estrutura clara em torno das três demandas: amor, sofrimento e desapego
  • +Exegese cuidadosa de Lucas 14.25-35 com aplicação contemporânea
  • +Diálogo rico com Kempis, Agostinho e C. S. Lewis
  • +Distinção provocativa entre imitação e especulação no discipulado
  • +Crítica relevante à cultura de consumo dentro das igrejas

Cons

  • Alguns leitores apontaram que conceitos como autenticidade e originalidade ficam vagos, com retórica prevalecendo sobre definições precisas
  • A tese mimética pode parecer em tensão com a citação de Lewis sobre a verdadeira individualidade vir de Cristo

Glasp AI analysis based on highlights from 5 readers.

Who Should Read This

Leitores cristãos interessados em teologia prática, pastores, líderes de igreja e responsáveis por programas de discipulado que desejam ir além de uma fé de consumo. É especialmente útil para quem busca fundamentação bíblica e patrística (Kempis, Agostinho, Lewis) sobre o custo de seguir Jesus. Pressupõe familiaridade com vocabulário cristão e leitura dos Evangelhos. Menos indicado para quem procura uma abordagem devocional leve ou neutra do ponto de vista confessional.

Frequently Asked Questions

Do que trata o livro?

O livro trata do custo de seguir Jesus, apresentando o discipulado como uma decisão consciente que exige amor a Cristo acima de tudo, disposição ao sofrimento e desapego das posses, fundamentado em Lucas 14.25-35.

Para quem é este livro?

É voltado para cristãos, pastores e líderes de igreja interessados em uma compreensão bíblica e profunda do discipulado, indo além de uma fé superficial ou de consumo.

Quais são as principais lições?

As lições centrais são as três demandas do discipulado — amor, sofrimento e desapego — e a defesa da imitação de Cristo mediada pela pregação apostólica, em oposição à mera especulação sobre como Jesus agiria.

O que significa a diferença entre imitação e especulação?

O autor critica reduzir o discipulado a especular padrões morais de Cristo (como no evangelho social de Sheldon). Para ele, o verdadeiro discipulado é mimético: imitamos Cristo conforme a pregação dos apóstolos, não conforme um Cristo fabricado por nossa mente.

Vale a pena ler?

Sim, especialmente para quem busca fundamentação teológica sobre o discipulado. É uma obra densa e desafiadora, embora alguns leitores tenham sentido falta de definições mais precisas em torno de conceitos como autenticidade.

O que significa amar Jesus acima da família?

Não se trata de odiar a família, mas de não permitir que ela ocupe o lugar de Deus no coração. Quando amamos a família mais do que a Deus, ela se torna um ídolo e deixa de ser amada como deveria.

Por que o livro critica a cultura de consumo nas igrejas?

Porque uma igreja centrada nas necessidades das pessoas transforma discípulos em voluntários de uma "máquina de eventos". O autor defende uma cultura de discipulado centrada em Cristo, pois o Reino de Deus é feito de discípulos, não de voluntários.

How to Apply What You Read

Discussion Questions

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