Por que homens jovens estão aderindo ao conservadorismo? O ativismo político evangélico conservador e de direita pode fornecer algumas respostas a essa pergunta. A explicação mais simples é a reação ao movimento feminista, que tem avançado rapidamente nas últimas décadas. Esse avanço assusta os jovens do sexo masculino e os empurra em direção ao conservadorismo moral. O feminismo tem uma maior adesão entre as meninas, o que leva a uma polarização política em que as meninas se tornam progressistas e os meninos se tornam conservadores em uma ampla gama de temas, desde o feminismo até a imigração.

Thati

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Jun 11, 2024

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Por que homens jovens estão aderindo ao conservadorismo? O ativismo político evangélico conservador e de direita pode fornecer algumas respostas a essa pergunta. A explicação mais simples é a reação ao movimento feminista, que tem avançado rapidamente nas últimas décadas. Esse avanço assusta os jovens do sexo masculino e os empurra em direção ao conservadorismo moral. O feminismo tem uma maior adesão entre as meninas, o que leva a uma polarização política em que as meninas se tornam progressistas e os meninos se tornam conservadores em uma ampla gama de temas, desde o feminismo até a imigração.

No entanto, é importante entender por que os meninos estão assustados com o feminismo. Uma chave de interpretação pode ser a defesa dos antigos privilégios masculinos e a relutância em perdê-los. No entanto, também podemos considerar que a forma como o feminismo hegemônico se expressa, com condenações morais e cancelamentos, não ajuda na persuasão dos jovens e os empurra para o campo político adversário.

Por outro lado, o ativismo político evangélico conservador e de direita também desempenha um papel significativo na adesão dos homens jovens ao conservadorismo. Esse movimento reage ao que considera ameaças secularistas e a seus valores, representadas pela pluralização sociocultural, avanço de movimentos feministas e LGBTs, políticas e decisões judiciais na área de direitos humanos, sexuais e reprodutivos, ativismo judicial, discriminação midiática e estatal.

O ativismo político evangélico conservador e de direita visa conquistar hegemonia cultural, social e política, por meio da expansão religiosa e da ocupação de posições estratégicas no Parlamento, Judiciário, governo e mídias sociais. Eles defendem a "maioria cristã" e seus pleitos e interesses institucionais. O engajamento dos evangélicos conservadores em disputas sobre aborto, sexualidade, arranjos familiares, direitos humanos, direitos sexuais e reprodutivos, políticas educacionais e de saúde tem gerado conflitos acirrados com governos, deputados petistas, feministas, LGBTs, defensores da laicidade e dos direitos humanos.

Esses conflitos se intensificaram a partir do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, o que reforçou a inclinação evangélica à direita e sua aversão e oposição à esquerda. Durante a eleição presidencial de 2018, lideranças evangélicas apoiaram majoritariamente a candidatura de Jair Bolsonaro, utilizando doutrinas de guerra espiritual, conspiracionismo e desinformação para difundir suas ideias. No governo Bolsonaro, ocuparam cargos estratégicos e ganharam espaço em diferentes áreas, como os ministérios da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Casa Civil, Justiça, Educação e Turismo.

Esse alinhamento entre o ativismo político evangélico conservador e de direita e o governo Bolsonaro impulsionou a polarização política e afetiva no país. Pastores e líderes religiosos demonizaram o candidato petista e seu partido, chegando ao ponto de assediar, ameaçar e excluir fiéis eleitores do PT. Essa campanha pastoral antipetista teve um impacto significativo, com Bolsonaro obtendo uma alta porcentagem de votos evangélicos no segundo turno das eleições de 2022.

A partir dessas análises, podemos extrair algumas ações práticas para lidar com a adesão dos homens jovens ao conservadorismo:

  • 1. Promover uma abordagem mais inclusiva e persuasiva do feminismo: É importante reconhecer que a forma como o feminismo é apresentado pode afastar os jovens do sexo masculino. É necessário adotar uma abordagem mais aberta ao diálogo e à compreensão das preocupações e perspectivas dos homens jovens.
  • 2. Investir em uma educação pluralista e laica: A polarização política e moral está presente também nas políticas educacionais. É fundamental promover uma educação que respeite a diversidade de opiniões e crenças, bem como os direitos humanos e a igualdade de gênero. Isso pode ajudar a diminuir a adesão ao conservadorismo moral.
  • 3. Fortalecer movimentos progressistas dentro dos meios religiosos: É importante apoiar e fortalecer movimentos evangélicos feministas, antirracistas, ecológicos e defensores dos direitos humanos e do Estado de direito. Esses movimentos podem fornecer uma alternativa ao ativismo político evangélico conservador e de direita, mostrando que é possível conciliar a fé religiosa com valores progressistas.

Em conclusão, a adesão dos homens jovens ao conservadorismo pode ser atribuída tanto à reação ao movimento feminista quanto ao ativismo político evangélico conservador e de direita. Compreender as motivações por trás dessa adesão é fundamental para promover um diálogo construtivo e buscar soluções que possam aproximar diferentes perspectivas. Ao adotar abordagens mais inclusivas, investir em uma educação pluralista e fortalecer movimentos progressistas dentro dos meios religiosos, podemos trabalhar para superar a polarização política e promover a igualdade de gênero, os direitos humanos e a diversidade.

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