Estruturas de mercado e a doutrina keynesiana: Como elas se relacionam?

André Gonçalves de Freitas

Hatched by André Gonçalves de Freitas

May 23, 2024

4 min read

0

Estruturas de mercado e a doutrina keynesiana: Como elas se relacionam?

A doutrina keynesiana, nomeada em homenagem ao renomado economista britânico John Maynard Keynes, revolucionou a forma como os governos interagem com a economia. Esta doutrina introduziu a ideia de que o orçamento público poderia ser utilizado como um instrumento de política fiscal, uma abordagem que contrastava fortemente com os conceitos econômicos predominantes na época.

Keynes postulou que em tempos de recessão econômica, o governo poderia intervir e estimular a economia através do aumento dos gastos públicos. Esta intervenção poderia ocorrer de várias maneiras, como investimento direto em infraestrutura ou por meio da redução de impostos para incentivar o consumo e o investimento privados.

Por outro lado, em tempos de expansão econômica, o governo poderia utilizar o orçamento público como um instrumento de política fiscal para evitar o superaquecimento da economia. Isto poderia ser feito através da redução dos gastos públicos ou do aumento dos impostos para reduzir a demanda agregada. Keynes argumentou que estas intervenções governamentais são necessárias para estabilizar a economia e evitar as grandes flutuações no ciclo econômico, que podem levar a períodos prolongados de recessão ou inflação alta.

A doutrina keynesiana tem implicações diretas nas estruturas de mercado. Vamos analisar cada uma delas e como se relacionam com os conceitos keynesianos.

Concorrência perfeita:

Neste tipo de estrutura de mercado, há um número infinito de produtores e consumidores, o produto transacionado é homogêneo e não há barreiras à entrada de firmas e consumidores. Existe uma perfeita transparência de informações entre consumidores e vendedores, bem como uma perfeita mobilidade de fatores de produção. Um exemplo próximo da concorrência perfeita é o mercado agrícola.

Na concorrência perfeita, o nível de produção ótimo ocorre onde o preço é igual ao custo marginal. Isso significa que, de acordo com a doutrina keynesiana, o governo não precisaria intervir para ajustar a demanda agregada, pois o mercado se autorregularia para alcançar o equilíbrio econômico.

Monopólio:

No monopólio, há apenas uma empresa para inúmeros consumidores. O produto não possui substitutos próximos e há barreiras à entrada de novas firmas. Um exemplo seria as companhias de energia elétrica dos municípios ou estados.

Em um monopólio, a empresa maximizadora de lucro escolhe a quantidade em que a Receita Marginal é igual ao Custo Marginal. Isso ocorre onde a demanda é elástica, pois uma redução na quantidade vendida reduz o preço menos do que proporcionalmente, aumentando a receita total. No entanto, em alguns casos, um monopolista pode escolher um nível de preço semelhante ao que seria escolhido em concorrência perfeita, especialmente se houver pressões regulatórias ou preocupações com a imagem da empresa.

Oligopólio:

No oligopólio, há um pequeno número de firmas que dominam todo o mercado. Os produtos podem ser homogêneos ou diferenciados, e há barreiras à entrada de novas empresas.

Concorrência monopolística (ou imperfeita):

A concorrência monopolística é muito semelhante à concorrência perfeita, com a diferença de que o produto transacionado não é homogêneo. Cada firma possui o monopólio do seu produto, que é diferenciado dos demais. Um exemplo seria as lojas de roupas, onde muitas firmas competem, mas cada uma possui o monopólio da sua marca.

Monopsônio:

O monopsônio é a antítese do monopólio. Neste caso, há apenas um comprador, enquanto, no monopólio, existe apenas um vendedor. Um exemplo seria uma região em que há várias fazendas de gado e apenas um frigorífico. Naturalmente, este frigorífico seria o único comprador (monopsonista) da carne das fazendas.

Tanto o monopolista quanto o monopsonista apresentam poder de mercado. A principal diferença é que enquanto o poder de mercado do monopolista permite a ele vender o seu produto acima do preço marginal, o poder do monopsonista permite a ele comprar abaixo do custo marginal dos ofertantes.

Conclusão e ação:

Podemos concluir que as estruturas de mercado têm implicações diretas nas políticas econômicas. A doutrina keynesiana defende a intervenção governamental para estabilizar a economia e evitar grandes flutuações no ciclo econômico. No entanto, os pressupostos da concorrência perfeita fazem com que o mercado se autorregule para alcançar o equilíbrio econômico.

Com base nisso, aqui estão três sugestões de ação para indivíduos e governos:

  • 1. Entender as estruturas de mercado: É fundamental compreender as características e implicações de cada estrutura de mercado para tomar decisões informadas sobre políticas econômicas e estratégias de negócios.
  • 2. Promover a concorrência: Para evitar distorções no mercado, governos e organizações devem promover a concorrência saudável, reduzindo as barreiras à entrada de novas empresas e incentivando a transparência de informações.
  • 3. Utilizar estratégias de discriminação de preços: Empresas podem utilizar estratégias de discriminação de preços para maximizar seus lucros. Isso envolve ajustar os preços com base nas características da demanda, aumentando as economias de escala e reduzindo os custos.

Ao seguir essas ações, podemos criar um ambiente econômico mais equilibrado e promover o crescimento sustentável. É crucial lembrar que as estruturas de mercado não são fixas e podem evoluir com o tempo. Portanto, é importante estar atualizado e adaptar as estratégias de acordo com as mudanças do mercado.

Hatch New Ideas with Glasp AI 🐣

Glasp AI allows you to hatch new ideas based on your curated content. Let's curate and create with Glasp AI :)